segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Política e politicalha

No Caderno Opinião Pública do Diário da Manhã, um notável e exemplar de espaço democrático, muitos trazem em seus conhecimentos aquilo que possuem de melhor, e assim contribuem pela valorização do espírito de cidadania e que tanto falta à formação da nação brasileira. É pela falta de cidadania que a corrupção granjeia; é na ausência dela que se consolida a tirania e o desvalimento de bons princípios. Assim, aqui pudemos tomar ciência do aforismo do ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT – Sr. José Dirceu, acerca do que chama “de falácia do aparelhamento e o papel do Estado”. O tema é oportuno por várias questões que se reproduzem no cenário político nacional; isto há muito tempo e não só nos governos do PT.

O Sr. Dirceu fundamenta seu discurso em estudo do IPEA que interpreta o tamanho e ocupação do Estado, fato este que não deixa de ser subjetivo. O que é discutível é onde o Estado deva atuar; e no Brasil com uma carga fiscal, tal qual nos países da Europa Ocidental e que oferecem estado de bem estar social, nós obtemos na prática, um Estado que presta serviços caros e de péssima qualidade. Não é para menos, os Governos se elegem e a si agregam os “cumpanheiros”, o nepotismo impera, há lugares garantidos em altos cargos para a fidúcia da base aliada, e que no presente governo é substancialmente fisiológica; haja visto a mutação de ministros em tão pouco tempo de mandato e quem indica a cargos tão relevantes nem é a presidência. A incompetência na gestão pública é notável.

No mais, a lógica do Sr. Dirceu ali exposta, não suporta um exame maior, pois como bom petista tudo que decorre e discorre versa por comparar ao governo anterior (FHC); e se encontraram as coisas em estado lamentável quando assumiram, seja em qual campo for e que denominaram de “herança maldita”, na gestão pública certamente nada melhor o fizeram. Não importam divagações sectárias; estas nada produzem e já deixou farta a verdadeira opinião pública que precisa respirar e raciocinar. A verdade deve pairar acima das obscuridades da politicalha. Para divisar o verdadeiro tamanho que se deseja do Estado, tal qual o também tamanho da meritocracia, sem os magnânimos privilégios de Cortes e Poderes que ora assombram a opinião pública, não podemos nos ater a preceitos acanhados das práticas vulgares. Há ainda de se rejeitar aqueles que se colocam acima das leis, escorraçando-os da vida pública, pois estes fazem do Estado o que querem e quando querem. São as manchetes do dia a dia. Diante deste axioma, isto é, verdades incontestáveis, - que perda de tempo é essa em discutir se há ou não falácia no aparelhamento do Estado? É claro que há e por qualquer governo e notadamente do PT; vejamos:

Pelo visto o mensalão não é uma bagagem embaraçosa ao senhor José Dirceu, é um caso revelador e que nos apresentou um autêntico processo da atuação de um Poder sobre outro. A sanção sofrida com a cassação do mandato dele decorreu pela dominação da vontade de outrem para decidir da forma que ele, ou seu mandante, quisesse a favor de interesses próprios, e não da nação. Ele não aparelhou, ele praticou “justiça a seu modo e dentro da sua moral alinhada à ética de seu partido”, e acha isso normal. Podemos definir como uma organização situada em alto Poder Republicano, passível do exercício de pressão em defesa de interesses próprios e sobre os poderes públicos e seus membros, a fim deles obter decisões condescendas a esses interesses. Estão acima das leis e dos interesses públicos?

Partidos políticos, e até essa base governista, nitidamente fisiológica, e que ora se apresenta pode ser rotulada como grupo de pressão como aquele que era exercido no mensalão e atuava até contra interesses institucionais. Em toda encenação política há a dissimulação onde estampam objetivos moralizadores, trata-se da técnica de mascarar o que há de concreto aos interesses dessas hordas, até exibindo valores supostamente desinteressados como moralidade, direitos da família etc., mas no fundo buscam resguardar vantagens inconfessáveis. Assim, projetos de lei não caminham propositadamente no Congresso, e rendem continuadamente dividendos pela esperança de que os parlamentares vendem a cada eleição pelo discurso de que irão aprová-los. Ilusão, mentira descarada.

Todo governo é o retrato dos seus governantes, portanto essa discussão de aparelhamento do Estado é inócua, pois todo Governo é suficientemente imoral para aparelhá-lo; a questão é de que alguns são de estirpe mais desregrada do que outros, assim como foi o PT. No mais se trata de discurso vazio e besteirol do discursivo político a dar sustentação e aparição na mídia de quem sustenta que o mensalão – o maior golpe contra a institucionalidade do país nunca existiu.

Em verdade, o que se estampa é o passado imutável, e o presente, ambos farão nosso futuro numa linha de tendência; e ao que nos deparamos agora é diante de um Poder dominante nitidamente fisiológico que assalta todos os cantos da gestão pública, num prodigo da sordidez e de um desregramento sem precedentes. Não há instituição que não seja achincalhada em qualquer nível, em qualquer autarquia ou órgão que seja. Acumulam-se denúncias de corrupção, prevaricação, nepotismo, negociatas, enfim toda ordem de crimes. Nomes em altíssimos escalões, cargos de confiança, indicações meramente políticas, eis ai o Estado aparelhado que o Sr. José Dirceu chama de miragem e que são alvos de denúncias. -Serão estas também miragens, como dizem ser o mensalão? Esta é a discussão que importa: a moralidade na gestão pública.

 Dentre os muitos legados que Rui Barbosa nos deixou há uma expressão que bem se aplica àquilo que o artigo do Sr. José Dirceu busca transmitir em suas entrelinhas:- “Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Até se se negam e se repulsam mutuamente. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha é a malária dos povos de moralidade estragada”.   

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Justiça Sectária


Diante da reação corporativista, de primária e insustentável rebeldia de setores da Justiça contra as palavras da Corregedora Angela Calmon, em apêndice ao posicionamento do Ministro Cezar Peluso; elevaram-se vozes em vários segmentos da sociedade, e sem modulação de tom não só em apreço ao posicionamento da Corregedora, mas ainda em demostrar a mais completa indignação, desilusão por nossos Tribunais com as Excelências togadas. Não é para menos, o desvario que se presencia na vida pública nada mais é do que a corrupção institucionalizada pela falta de justiça.

No Brasil, a política foi substituída pela corrupção institucionalizada. A contrafação na administração pública agora é organizada e até partidarizada. A pior das formas de corrupção é aquela que se presta aquiescência às demais que proporcionam qualquer dano à nação, até mesmo quando o erário público é dilapidado. Isto nada mais é do que a prática da injustiça qualificada pela toga que a sociedade ora se insurge.

O Ministro Gilmar Mendes, durante o processo do Ficha Limpa declarou:- “que as vezes a sociedade deve ser protegida dela própria” (pelo STF). E quem nos protege das Cortes e suas sentenças viciadas, lambuzadas pela politicalha, trabalhadas em seus estertores pelo favorecimento às oligarquias? Não temos verdugos a nossos préstimos; ou do affaire com o clã Sarney, quem está certa a Justiça nitidamente apadrinhada ou meses de investigação da Polícia Federal? Que exemplo deu-se a sociedade? - Uma justiça arbitrada e vergonhosamente serva do coronelismo.

A garbosidade de caráter demostrada pelo expresso corporativismo, deveria a bem da própria instituição – JUSTIÇA, ser substituída pela autocrítica e pela humildade; isto representaria muito mais apreço ao que emana do povo. Humildade é disso que estes senhores togados necessitam em substituição à galhardia rota de títulos sem glória alguma. A glória vem do que se presta a outrem; o que prestam, em geral não tem atendido sequer mínimos padrões de moralidade à nação e que deveriam proteger. Se houverem problemas, resolvam; se em suas hostes houver quem não mereça ali continuar, expulse-os com ira exemplar, pois ao povo, em seu direto sagrado cabe justiça. Isto não é um prenuncio nem opinião desqualificada, é a visão de milhões que não creem mais nos tribunais deste país pela injustiça a que nos predispõe.

Afinal de que fileiras saíram Medina e Lalau? Este último dirigia a Comissão de Obras do imponente Fórum Trabalhista de S.Paulo, e isto mesmo depois de regiamente aposentado. Era “um trabalho voluntário” e que “ninguém desconfiava”, certamente com o beneplácito silencioso de centenas de servidores muitíssimos bem remunerados pelos cidadãos que carecem do funcionamento isento das Cortes. Dispensável é elencar outros casos, porém nada passa sem lembrarmo-nos do mensalão. 

Mister citar ainda quando completa-se um ano que o Ministro do STF Antonio Toffoli pediu vistas para obstar o andamento do processo relativo ao expurgos dos planos econômicos e as perdas decorrentes nas cadernetas de poupanças. Milhões de pessoas aguardam a manifestação do STF – presidido pelo Ministro Peluso. Toffoli, um Ministro tardinheiro, que foi assessor de José Dirceu na Casa Civil, tem nesse episódio uma marca indelével. Quando de sua passagem pela Advocacia Geral da União, manifestou-se a favor dos Bancos, e contrário aos poupadores - motivo este mais que suficiente para declarar-se impedido de ora manifestar-se no Supremo. Ele o fez? Não! O Ministro Peluso presidente da Corte interviu? Não? Estão fazendo justiça a quem? Portanto a Corregedora Eliana Calmon disse o mínimo, e o que disse está correto, provavelmente apenas errou na grandeza, pois se quisesse falaria muito mais. Que as vulgares teses corporativistas tenham ouvidos para ouvir e olhos para ver e semeiem a verdade em torno de si e de seus atos e palavras se desejarem praticar justiça e não a hipocrisia dos falsos pregadores de uma honestidade impoluta que nem ilude mais a incautos.

             Oswaldo Colombo Filho
    Diário da Manhã - Goiás 03/10/2011 
                    O Estado de S.Paulo 04/10/2011

domingo, 2 de outubro de 2011

CARPE DIEM

Enquanto se discutem técnicas de expurgo, manifestações ou socorristas, contra a imoralidade que assola o país da corrupção escancarada, o auxílio à dignidade nacional se atrasa pela inoperância cívica. O desalinho ético, e desrespeitoso de um ministro de estado declarando publicamente: - “não me importa a opinião pública”, demostra o estágio putrefato que assola os poderes republicanos e aduz a total desfaçatez à força popular que adulam, mas tem em seu íntimo como omissa, acabrunhada e até covarde.

  Tais desígnios, e como nunca o foi, trazem tantos e quantos infortúnios ao que a nação arca pela magistral incompetência e pela falta de ética na gênese dos homens públicos brasileiros. Assistimos a um festival de patifarias. Os vínculos entre a formulação de um estado de legalidade a escabrosas situações, não importando a moralidade, atam os delituosos do mesmo nível de responsabilidade e baixeza de caráter. Um acoberta o outro, ou até o inocenta em Cortes formais. A moral passou a ser subjetiva para legisladores e nas altas Cortes do país onde se amontoam processos ao vil interesse de “poucos”. Mesmo assim, o corporativismo togado se insurge quando “molestado” por vagar sem produzir ao que minimamente poderia se esperar.

A classe média se compraz no “TER, e não no SER”; deixam seu ego com os agiotas. Os moços, moças, estudantes não fazem jus a atributos próprios da jovialidade em revolucionar e inovar, estão entregues ao peleguismo de carreira. São parvos, poucos são os que pensam no futuro e sabedores da porta estreita, e dos limites da sábia destra que os aguardam. O povo, já inconsciente dos limites da decência, caminha sob a orientação dos versados guardiães do populismo fisiológico que tomou todos os Poderes de assalto. São eles as fontes de referência àquilo que seja um bom futuro aos incautos. Que país é este? Uma nau sem rumo e ao sabor dos ventos.
Em verdade aqui estamos, pois este é o nosso lugar, é o nosso momento e o nosso merecimento. São nossas provas e que nos envidam a fazer ressurgir no povo os caráteres da moral, da liberdade, da ordem e do civismo e respeito às leis que é por onde prosperam os Estados e a honra das nações e das famílias.

Será inútil nossa passagem pela vida se não a fizermos valer a pena, e sem a perpetrarmos em evolução nos bons propósitos. Nosso destino tem apenas dois selos herméticos, - um que se abre quando aqui chegamos com nossa veste carnal e outro que nos vale quando em espírito, despojados dessa veste, partimos para a pátria espiritual. No interstício de tempo ali marcado, que não se pode predefinir por um calendário, mas pode-se ao fim dele mensurá-lo em conteúdo e qualidade daquilo que nele foi feito em prol do próximo. Aqui se consagra o maior ensinamento do Evangelho de Cristo, neste senso da espiritualidade transcende-se a tudo e faz–se verdadeiro o respeito ao convívio entre os homens. Durante o transcurso nos cabe o livre arbítrio, nada que não possamos querer ou fazer, tal qual ninguém poderá se evadir da saída quando o destino lhe asseverar o fatal e derradeiro momento. É um breve trajeto dentro da eternidade de nossas almas, em que possa pesar contrariedades e as crueldades dos homens como estes que dirigem o país; porém, o mal afligido sempre há de ser menor que o bem que possamos fazer e perpetrar, basta que queiramos. Basta que cada membro desta geração, valha-se de seus corações e mentes em produzir a este país o mais fiel desejo e doravante se pautar pela tarefa de mudar os destinos da nação, plantando um futuro melhor, deixando assim um legado virtuoso aos que nos seguirão. Como? Com aquilo que possuímos e que dinheiro algum pode comprar. É a hora das responsabilidades. O Mal é apenas a ausência do bem! Tal qual a escuridão é a ausência da luz; jamais a escuridão se sobrepõe a luz quando esta persiste, assim também ocorre com o BEM em relação ao MAL. Façam valer suas vidas, um dia após outro como se fosse hoje o último.
 - Carpe diem! 

          Oswaldo Colombo Filho
Diário da Manhã - Goiás 02/10/2011
                             O Estado de S.Paulo 12/10/2011 

sábado, 1 de outubro de 2011

Tributo a incompetência e a mediocridade

A presidente, como tradicionalmente ocorre, abriu a sessão inaugural do exercício da Organização das Nações Unidas. No ano anterior, o seu antecessor não foi, e designou o seu chanceler - Celso Lafer para substituí-lo pelo receio de ser criticado pelo escrachado relacionamento que mantinha com ditadores mundo afora. Em seu pronunciamento, Rousseff, defendeu a quebra das patentes de medicamentos contra doenças crônicas. A exemplo do aumento do IPI seletivo a automóveis importados da Coréia e China, que dias antes o Ministério da Fazenda anunciou, impondo alíquotas superiores entre 120% e 428% superiores, cria-se mais uma panaceia com o resto do mundo ao amargor dos consumidores brasileiros. É o fardo da incompetência legada por Lula.

Vale ajuizar em tempo hábil e oportuno, que não se aponte a posteriori a opinião pública ou governos estrangeiros pelos nossos desenganos ou maus resultados políticos no exterior, antes de examinarmos se os culpados não se acham aqui mesmo, em especial nos malfazejos pelas mentalidades de assessores de vocação política retrograda, pulsados em ódio a outros povos ou por suas formas de governo. No governo passado, este foi o norteamento obtuso da política externa brasileira, e que em toda sua história republicana jamais agiu em tamanha desconformidade.

 A indústria farmacêutica investe bilhões de dólares para pesquisar e produzir medicamentos que possa levar ao mercado. Até lá todos os dispêndios incorrem por sua responsabilidade e risco. O chamamento de Rousseff na sessão inaugural da ONU parece, em princípio, ser digno de um apanhado moral, porém nada mais é do que um discurso vazio, afinal quem investiria ou agora investirá aqui no Brasil para ter quebradas suas patentes? O Governo investirá nestas pesquisas? Em sendo a mais alta autoridade do país e representante da nação não poderia apropriar-se dessa exaltação demagógica, travestida de moralista, buscando apreço das nações pobres, tal qual seu antecessor fazia vulgarmente. No Brasil, aqueles que têm condição de pagar por medicamentos, os compram com a maior carga fiscal embutida que existe no planeta, variando de 34% a 36%. Isto sim é um acinte, e não corruptos algemados como se indignou a senhora presidente ao vê-los estampados nas primeiras páginas dos jornais, e para sua surpresa fieis companheiros de seu partido, todos já em liberdade, a mando das nossas suspeitas Supremas Cortes! Não existem royalties, patentes, ou seja, lá o nome que se queira dar em qualquer medicamento ou bem comercializável no mundo, que seja superior a carga tributária existente no Brasil. A Sra. presidente estava literalmente sendo demagoga ao discursar na ONU. Se não tinha o que falar que não fosse, ou arrumasse outro tema. 

Que tal:- a evolução dos indicadores socioeconômicos do Maranhão face às transferências de recursos recebidos da União nos últimos 40 anos, ou ainda a corrupção que herdou do governo de Lula. Seriam temas mais interessantes aos ouvintes.

Aos veículos coreanos e chineses- tiveram seus impostos majorados de forma abrupta, pois em verdade estavam com preços ao agrado do mercado (consumidores) e em desagrado à concorrência, mas ainda em incipiente participação. Na verdade, a exceção da FIAT e aos japoneses (além dos coreanos e mesmo aos chineses ora prejudicados), os demais carros produzidos no Brasil estão para “aquilo que a indústria no exterior produzia a cinco ou seis anos atrás”. Os consumidores brasileiros é que foram prejudicados, pois estes automóveis chegavam ao Brasil, depois de atravessar meio mundo, esbanjando qualidade, completíssimos em termos de assessórios, impecáveis nas qualificações a que se propunham, altamente econômicos oferecendo garantias de três a seis anos; ou seja, o triplo ou o sêxtuplo dos carros nacionais. Um governo incompetente concedeu enorme e digno "tributo" a seu próprio e característico quesito: - “a incompetência”, e quem se beneficia é a mediocridade - o lobby das montadoras locais. Lamentavelmente uma sustenta a outra.   

       Oswaldo Colombo Filho
O Estado de S.Paulo 23/09/2011
                    Diário da Manhã 01/10/2011