domingo, 28 de agosto de 2011

Poupe que o governo garante !

Tal frase era uma das mais citadas nas publicidades em qualquer tipo de mídia nos anos 70 e 80. Afinal, as cadernetas de poupança eram os únicos mecanismos que os cidadãos comuns tinham para proteger suas economias da inflação. Era comum, que as famílias possuíssem várias e com diferentes datas de aniversários. No governo Sarney (85/90), e Collor (90/92), ocorreram dois planos econômicos em cada governo e com consequentes “expurgos” que alcançaram os poupadores. Aos cálculos feitos à época pelas instituições financeiras para crédito de juros e correção monetária, sequer paira qualquer dúvida ao senso jurídico e atuarial de que foi praticado ato lesivo aos poupadores; pois os Bancos, deram entendimento ilícito em prejuízo dos correntistas. Centenas de milhares de sentenças já foram dadas favoravelmente aos poupadores; da mesma forma dezenas de milhares já receberam dos condenados àquilo que lhes fazia jus; valendo citar que recorreram à Justiça uma pequena parte dos gatunados.

A oligarquia rentista recorreu de forma ardilosa ao STF. No processo então em curso e em setembro de 2010, um ano atrás, ainda a tempo de agrados na campanha política, o Ministro Toffoli solicitou “vistas” e até hoje não se manifestou. O Ministro em questão foi indicado por Lula da Silva. Toffoli foi advogado do PT, e das campanhas de Lula; assessor de José Dirceu à época do mensalão na Casa Civil, e ali foi colega de Waldomiro Diniz. Em verdade, e pela ética e liturgia de seu cargo nem deveria opinar; pois carecia declarar-se “impedido”, porquanto estava na Advocacia Geral da União e lá se manifestou a favor dos Bancos e contra os poupadores. É evidente que ora age tendenciosamente em consonância à preferência já dada, tal qual enseja conter o processo em sua gaveta.

A acusação de formação de quadrilha no mensalão já se esvai pela dormência de um ministro “tardinheiro”, também indicado pelo “cara”, e Toffoli atenta abertamente contra o patrimônio de milhões de famílias.

Está é a nossa verdade republicana, onde sobeja a corrupção e o malfazer da justiça quando a verdade é iminente. Pobres clientes somos nós desta Corte sem altivez e que despreza nossa dignidade; cujas figuras não possuem envergadura e recato suficiente a olhar de frente a nação que deveriam proteger. Gabam-se de títulos rotos; nomeiam-se excelências; ministros constitucionalistas como se isto possa sustentar suas míseras almas. Dizia Paulo de Tarso que: “uma boa lei somente pode sê-la quando usada com retidão; entretanto há de haver virtudes no executor”. Em nossa mais alta Corte de Justiça não achamos virtudes, mas transbordam vicissitudes que esteiam os interesses de oligarquias e cujas dissimulações mesquinhas atentam contra a nação.

          Oswaldo Colombo Filho
O Estado de S.Paulo 27/08/2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Democráticos espaços de debate


Neste democrático espaço - Fórum Estadão, muitos trazem em seus conhecimentos aquilo que possuem de melhor; contribuem pela valorização do espírito de cidadania e que tanto falta à formação da nação brasileira. É pela falta de cidadania que a corrupção granjeia; e na ausência dela que se consolida a tirania e o desvalimento de bons princípios. A sociedade que tende a omiti-la em seus direitos perde em seus benefícios e aceita a sabedoria do apedeuta populista; a inépcia de quem deforma o idioma pátrio; da prática da justiça leniente e conivente com os desregrados.

Neste espaço quem se projeta em opinar, pode ganhar a pecha de “colaboracionista da imprensa golpista”. A isto fui conclamado por alguns – membros de reles minoria obtusa, beócia e travada no linguajar exultante dos comunas em meados do século XX. Não assustam, enojam. Sou em verdade avesso ao populismo fisiológico, que é o atual regime curador do Brasil, não se pode avocar ao que ai está como sendo um regime político. Tenho observado rotineiramente neste espaço três fontes intuitivas para verdadeiros cidadãos. São os Poderes desvalidos que constituem a ordem republicana. O Congresso - o mais caro do mundo que para nada presta a não ser chancelar MP’s enviadas pelo Executivo. No intermezzo de um escândalo ou outro, e de âmbito próprio, trata nos porões da instituição e de forma malfazeja os articulados acordões, peças escabrosas à ordem moral e institucional. Evidentemente, ninguém trabalha de graça e acertam-se as “emendas parlamentares,” que são fontes distributivas de renda extra tal qual análogas ao mensalão, e assim sendo não se pode valer de algemas contra os cumpanheiros flagrados no role. Tornou-se uma autarquia medíocre; marcada pela mais absoluta hipocrisia, defenestramento da moral, da ética e dos princípios básicos de bem servir ao povo.

Centremo-nos neste miserável aos brasileiros. Dali saem os grandes gestores ministeriais, de primeiro, segundo até quantos escalões a ordem de pilhagem ou saque achar prudente requisitar. Funcionários de carreira para quê? Grandes figuras se sobressaem. A maior parte vem do cumpanheirismo frugal; das hordas familiares cuja competência transcende gerações – vide a Capitania Hereditária do Maranhão; mas os mais notáveis são egressos do parlamento e que foram empossados com legitimidade, apesar do ficha limpa, e o STF garante. São indicados por mensaleiros, sanguessugas etc., e formam a plêiade da competência da caterva e estão enchendo as manchetes da “imprensa golpista” como os analfabetos políticos clamam. Outra definição para estes: a corruptela entre facções partidárias  engendrada em lotear e pilhar o erário público. Mas atenção para a ordem da pseudopresidente não podem ser molestados! Devem ser tratados com muita polidez e dignidade, tais quais aqueles que perderam suas vidas em estradas mal sinalizadas; em leitos de hospitais que sequer existiram; na falta de remédios desviados; das ajudas a assistidos por catástrofes afanadas por canalhas. Tal qual os aposentados são tratados pelo governo, e os ex-poupadores nos planos econômicos Sarney e Collor e que confiaram no slogan “poupe que o governo garante” – garante o que? O lucro extraordinário dos bancos, sustentando pela conivência do STF.  Sim senhora, dignidade já aos canalhas, é a ordem da gerentona!
 
Espero em Deus, que haja muito de melhor no Brasil e que arrasará com o que há de malfazejo reinando aqui, inclusive com os eleitores-cumplices que são o amago do mal que ai está.  

    Oswaldo Colombo Filho
O Estado de S.Paulo -25/08/2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Lula e seus amigos do peito

Sirte-Líbia, 2009 - 
Lula da Silva o único convidado de honra presente à Reunião da Cúpula Africana. O outro convidado, Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, com igual status e que tinha lugar reservado ao seu lado, e que por sua vez ficaria ao lado de Kadafi não pôde ir devido a imprevistos de última hora. Lula feliz por discursar, não poupou o besteirol de Marco Aurélio Garcia e Celso Lafer. Demostrou com galhardia a fétida fossa negra que foi a política externa de seu governo, tal qual ainda é o entendimento do que ocorre na Líbia pelo governo Dilma. Voltou-se a Kadafi e disse: - “Meu amigo, meu irmão e líder”.  


Dispensável qualquer comentário para avaliar o tamanho da bergamota que esse povo elegeu por duas vezes. Uma já seria um absurdo, e mesmo com mensalão reconduziram o “cara” a liquidar por mais algum tempo com a institucionalidade do país. Agora a ignorância ativa e eletiva do apedeuta, manifesta-se feliz pela “presumível faxina”, esquecendo-se quem foi o sórdido que sujou.

  Oswaldo Colombo Filho  
O Estado de S.Paulo -24/08/2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Justiça hipócrita

          O "mensalão" é um inequívoco registro histórico do legado de Luiz Inácio Lula da Silva, e como bem colocou o procurador Roberto Gurgel: "um atentado sem iguais precedentes à democracia brasileira". O governo Lula da Silva alienou os incautos em orquestradas campanhas de contrainformações; revendeu a uma classe social ascendente o consumismo desvairado através pela oferta de crédito desatinado e que agora se afoga em dívidas; assim, de fato enriqueceu os rentistas e especuladores. Legou a quem o sucedesse uma herança espúria expressa numa horda de desregrados travestidos de políticos - seus bons "cumpanheiros", nas facções aliadas e que dia após dia enxovalham as manchetes pela revelação de atos lesivos ao erário público. 


        Não há novidades, a estirpe de impudicos é mesma desde 2003, e o que se altera e consolida é a constatação do desastre que foi seu desgoverno ao Brasil. O que fica claro neste momento é que o “cara” ainda dá as cartas. Predisse que o mensalão está engavetado é seria julgado somente 2020. Pelo que se vê sua influência no STF, já garantiu prescrição pela acusação de formação de quadrilha para 36 marginais - no próximo dia 27. Há tanta hipocrisia no exercício da Justiça no Brasil, e em especial na mais alta Corte que fico imaginando se não está na hora de adotar uma cadeira especifica nas faculdades de Direito que obste o continuísmo dessa praga que em crime é maior que a própria dilapidação do erário e dos direitos da nação.

        Oswaldo Colombo Filho
O Estado de S.Paulo 23/08/2011